sexta-feira, 3 de abril de 2015

Carta Para Você

Querido Mar,
Gostaria que a gente pudesse escolher os sentimentos. Eu, por exemplo, não escolheria sentir o que sinto por você. Minha vida continuaria exatamente do jeito que era antes de você aparecer. Ou antes de eu começar a me sentir assim. Você continuaria com a sua namorada incrível e a vidinha monótona. E eu continuaria longe de você e com a vida tão boa quanto uma estudante de Ensino Médio pode ter.
Pena que a vida não é assim. E aqui estou eu, escrevendo mais um texto que daqui a poucas horas estará na primeira página do blog. Você talvez preferiria que ele ficasse apenas no papel, fadado ao esquecimento, e sem que mais ninguém soubesse dele. Mas e daí? Você nem está aqui. Tampouco sabe do que isso se trata. Na verdade, nem mesmo sabe que estou escrevendo. Então, não faz diferença.
Uma hora, porém, isso chegará até você. Então, talvez você devesse saber o quanto odeio o jeito como você se preocupa comigo. Odeio o quanto você é convencido e sabe de praticamente tudo. Odeio essa sua superioridade sobre tudo e todos. Odeio suas piadinhas sem graça e seu jeito ridículo de piscar. Odeio os seus vários jeitos de me chamar. Odeio quando diz que irá atuar no meu primeiro filme e o quanto você diz apostar em mim como cineasta. Odeio ainda mais o quanto eu amo todas essas coisas.
Porque eu sou só uma estudante do 1ºAno, que passa a maior parte do tempo com a cara nos livros e gasta o resto pensando no violoncelo, na dança e no piano. E em você.
Deve ser por isso que eu gosto tanto do violoncelo: porque cada corda que eu toco é um lugar, e meu arco faz questão de passar por cada um deles. E eu? Eu fico presa a ti, Mar.
Então me deixe. Volte para suas ondas e beleza, sempre a procura de alguém para carregar com você. Volte para sua namorada talvez grávida e para sua vidinha monótona. Eu voltarei para o violoncelo e serei meu próprio arco. Encontrarei um lago, rio, ou até mesmo algo tão profundo como um oceano, para me apaixonar.

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